A única certeza que temos das nossas vidas é que são finitas. O que fazemos em vida cria memórias em quem nos rodeia e essas mesmas memórias são a história de quem nós somos e como perduramos na memória dos outros. A perda de memória é uma perda de identidade, individual ou colectiva. A busca pelo silêncio simples numa era de ruído múltiplo é estranha à maior parte de nós e coloca-nos questões que, na maior parte dos casos, poucos estarão aptos a responder.
Saberemos nós lidar com o silêncio?
E o que é isso do silêncio?
E qual a diferença entre silêncio e silêncio absoluto?
Sempre defendi que silêncio é a sensação de ausência sonora momentânea e que só existe um momento no qual estamos perante o silêncio absoluto, momento esse por sinal demasiado curto, uma vez que equivale ao último batimento do nosso coração: o nosso Opus final, por assim dizer.
Ryuichi Sakamoto sabia que o seu fim estava próximo e mesmo assim quis fazer música até que o corpo desistisse de si. Quis deixar o último testemunho vivo de um homem simples, porém, também ele um compositor absolutamente brilhante, singular e transversal a uma série de culturas e géneros musicais no nosso mundo ruidoso. Escolheu 20 peças do seu vastíssimo repertório (com mais de 50 anos) para as interpretar sozinho, ao piano, num elegantíssimo documento visual a preto e branco, assinado pelo seu filho Neo Sora.



